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Entrevista com o presidente e a vice-presidente da comissão de pós-graduação da FDUSP – parte I

  • Educação Jurídica

Gazeta Arcadas, 16 de agosto de 2020

Ariel Engel Pesso

Essa semana apresento uma entrevista com o presidente da Comissão de Pós-Graduação (CPG) da FDUSP, professor Fernando Facury Scaff e a vice-presidente, professora Ana Elisa Liberatore Silva Bechara [1].

1. O programa de Pós-Graduação na FD é o maior da USP e do Brasil (na área de Direito). Como vocês enxergam isso?

Sentimo-nos muito mais que honrados em sermos um dos melhores do Brasil desde nossa criação, há mais de 50 anos, fato reconhecido pela CAPES.

O fato de sermos grandes (“maior”) trata-se de uma contingência histórica, decorrente da compreensão de que o Direito é uno, bem como de que há enorme carência de servidores na USP, de modo a permitir que melhor gestão acadêmica. Outros Programa de PG da USP – como o de Medicina – são divididos em CCPs, isto é, reunidos por grupos mais temáticos, reunidos em CPGs. Direito – que não possui CCPs. Se tivéssemos servidores em números suficiente, poderíamos dividir e gerenciar melhor as atividades de PG na FD.

2. Em sua visão, quais são as maiores dificuldades que os discentes enfrentam durante o curso?

Dificuldades em ter uma visão holística do Direito. Muitos discentes se cingem a aprofundar seus estudos em apenas uma subárea do conhecimento jurídico, e isso acaba por comprometer a visão do conjunto. Observe-se que isso pode ser melhor administrado com a interdisciplinaridade, através das múltiplas disciplinas que são ofertadas. Assim, recomendaríamos aos discentes cursar as disciplinas necessárias de seu núcleo de conhecimentos, e também cursar outras, dos demais núcleos, que permitam compreender melhor os problemas a serem enfrentados.

Outra dificuldade é a exata dimensão do que é uma tese (que necessita de hipóteses de pesquisa, que resolve um problema jurídico específico) e uma dissertação (cuja hipótese é diversa, podendo ser apenas de trabalho). Logo, nesse sentido, maior atenção aos aspectos metodológicos é algo que também deve ser recomendado, pois se constitui em uma dificuldade concreta dos discentes.

3. E quais as dificuldades para os docentes?

Muitas. Uma, a de gestão acadêmica, potencializada pela falta de servidores. Outra, é a da massificação das aulas, que demandam muita disponibilidade dos docentes. Observe-se que a PG não se restringe a ministrar aulas; é muito mais importante a produção acadêmica, que permite aos docentes ultrapassar os estreitos muros das salas de aula. A projeção de seus conhecimentos deve ser ampliada urbi et orbi, e não para o restrito grupo de alunos que assiste às suas aulas. Logo, é necessário que haja menos aulas, e mais produção, sendo que as primeiras ocupam tempo da segunda atividade. Temos apontado esse caminho durante nossa gestão.

4. Sabemos que a pós-graduação é marcada por várias pressões, o que gera problemas de ansiedade e até mesmo depressão nos(as) candidatos(as). Como o PPGD lida com os problemas de saúde mental enfrentados pelos(as) pós-graduandos(as)?

A USP tem se preocupado fortemente com isso, tendo sido criado um Núcleo específico na Faculdade de Psicologia para atendimento aos discentes com esse tipo de problemas. Sua atuação é para toda a Universidade e temos sido bastante solidários com tal situação, que se agravou fortemente em face da pandemia.

5. Quais as perspectivas em relação à internacionalização no PPGD?

Muito boas. Aqui nosso Programa é ímpar no Brasil, em termos de cooperação acadêmica com outros centros de excelência na Europa e nos Estados Unidos, em mão dupla, isto é, com atividades docentes de estrangeiros em nosso Programa, bem como de discentes e docentes nossos nos programas estrangeiros.

Temos buscado parcerias com enfoque diverso, isto é, na América Latina e nos países de língua portuguesa. Iniciativas do Prof. Floriano Marques, Diretor da Faculdade, junto à Universidades chilenas, e do Prof. Gustavo Mônaco e do Prof. Fontoura, em países africanos de língua portuguesa, começaram a ser encetadas, e espera-se que deem frutos nos próximos anos.

[1] Em função da pandemia, a entrevista foi realizada por e-mail, no início de agosto de 2020.

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